AION IT

Guia completo · Atualizado em 17 de agosto de 2026

NR-1 e riscos psicossociais: o que sua empresa precisa entregar em 2026

Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização do trabalho pode autuar empresas que não incluíram os riscos psicossociais no seu Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no PGR. A exigência vem da atualização da NR-1 pela Portaria MTE nº 1.419/2024, o período orientativo terminou, e o Ministério do Trabalho já afirmou que não haverá novo adiamento. Este guia explica, em linguagem direta, o que mudou, quem precisa cumprir, o que exatamente entregar e por onde começar.

O que mudou na NR-1?

A NR-1 é a norma regulamentadora que define as regras gerais de gerenciamento de riscos ocupacionais no Brasil. A mudança central da atualização de 2024 é uma só: fatores de risco psicossociais passaram a ser tratados como risco ocupacional formal, no mesmo nível de riscos físicos, químicos e biológicos. Isso significa que eles precisam ser identificados, avaliados, registrados no inventário de riscos do PGR e tratados com um plano de ação — com evidências documentadas de que esse ciclo está funcionando.

Antes, saúde mental no trabalho era tema de boas práticas de RH. Agora é obrigação legal auditável.

O que são riscos psicossociais, na prática?

São condições da organização do trabalho que podem levar ao adoecimento mental ou físico dos trabalhadores. Os exemplos mais citados pela fiscalização e pela literatura de SST: sobrecarga e ritmo excessivo de trabalho, metas incompatíveis com os recursos disponíveis, jornadas exaustivas, assédio moral e sexual, conflitos interpessoais mal geridos, falta de autonomia e de clareza sobre o papel, insegurança constante quanto ao emprego e comportamentos abusivos de lideranças.

O ponto que mais confunde: não é sobre medir o estresse de cada pessoa — é sobre identificar e corrigir as condições de trabalho que produzem esse estresse. O objeto da norma é a organização do trabalho, não o indivíduo.

A fiscalização já começou? Quais são os prazos?

Sim. A linha do tempo ficou assim:

A Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, consolidou a inclusão dos riscos psicossociais no GRO/PGR. A vigência inicial foi adiada, e ficou definido que a fase de fiscalização educativa/orientativa correria primeiro, com a fiscalização punitiva começando em 26 de maio de 2026. Desde essa data, auditores-fiscais podem autuar. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou publicamente que não haverá novo adiamento.

Ou seja: se a sua empresa ainda não fez nada, não está “atrasada para um prazo futuro” — está descumprindo uma norma já em fiscalização.

Quem é obrigado a cumprir?

Toda organização que contrata pelo regime CLT, de qualquer setor e porte, precisa ter o GRO com riscos psicossociais contemplados. As exceções e simplificações: o MEI é dispensado de elaborar o PGR; microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas nos graus de risco 1 e 2 podem ter obrigações simplificadas ou dispensa de PGR quando declararem, nos termos da própria NR-1, que não há exposição aos riscos — enquadramento que vale a pena confirmar com sua assessoria de SST antes de assumir.

Empresas que vendem para governo ou para grandes companhias têm um motivo extra: conformidade com SST cada vez mais aparece como exigência de habilitação e de auditoria de fornecedores.

O que a empresa precisa entregar, concretamente

A fiscalização não quer discurso de bem-estar; quer um ciclo de gestão documentado. São cinco entregas:

1. Identificação dos fatores de risco na sua operação real.

Levantamento feito sobre como o trabalho acontece na sua empresa — carga, metas, jornadas, relações com lideranças — e não um modelo genérico baixado da internet. Diagnóstico copiado é o primeiro sinal de não conformidade que um auditor procura.

2. Avaliação e classificação.

Cada fator identificado precisa ser avaliado (probabilidade, severidade, pessoas expostas) e priorizado.

3. Inventário de riscos atualizado no PGR.

Os riscos psicossociais entram formalmente no inventário, ao lado dos demais riscos ocupacionais.

4. Plano de ação.

Medidas preventivas e corretivas com responsável e prazo — e compatíveis com o diagnóstico. Plano que não conversa com o inventário é inconsistência fácil de autuar.

5. Monitoramento e evidências.

O ciclo precisa continuar rodando: acompanhamento das medidas, revisão do inventário, registro de tudo. É aqui que a maior parte das empresas falha — têm o documento, não têm o rastro de execução.

Quais são as punições?

O descumprimento gera autuação com multa aplicada por item descumprido, conforme os critérios da NR-28, com valores que crescem de acordo com o porte da empresa e a gravidade da infração. Além da multa direta, os riscos reais são maiores: embargo ou interdição em casos graves, uso das constatações da fiscalização como prova em ações trabalhistas individuais e coletivas, e a caracterização de nexo entre adoecimento mental e trabalho — com impacto em afastamentos, FAP e passivo judicial.

Passo a passo para se adequar

  1. 1Diagnóstico honesto do estado atual. O que existe de PGR hoje? Os riscos psicossociais aparecem? Há evidências de execução ou só o documento?
  2. 2Levantamento dos fatores psicossociais. Combinação de dados que a empresa já tem (afastamentos, turnover, horas extras, resultados de pesquisas internas) com escuta estruturada dos times.
  3. 3Avaliação e priorização dos fatores encontrados, com critério documentado.
  4. 4Atualização do PGR — inventário de riscos e plano de ação revisados.
  5. 5Execução das medidas com responsável e prazo, começando pelas de maior severidade.
  6. 6Rotina de monitoramento: definir quem revisa, com que frequência, e onde ficam registradas as evidências. É o que transforma documento em conformidade.

Onde a tecnologia entra (e onde não entra)

Nenhum software substitui o diagnóstico humano nem a decisão de mudar como o trabalho é organizado. O que a tecnologia resolve bem é a parte que consultoria pontual não sustenta: leitura contínua da documentação, cruzamento com o que a norma exige, alerta de lacunas e manutenção do rastro auditável de evidências.

É exatamente isso que o AION SafetyOps faz — agentes de IA que operam dentro do ERP que a empresa já usa (Sankhya, TOTVS, SAP, Oracle, Senior), apontam cada lacuna de conformidade com a fonte citada e mantêm tudo logado para o dia em que a fiscalização chegar.

Quer ver em minutos onde sua empresa está exposta na NR-1?

Perguntas frequentes

A fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais já começou?
Sim. A fiscalização punitiva começou em 26 de maio de 2026, após período orientativo. Auditores-fiscais podem autuar empresas sem gestão de riscos psicossociais no GRO/PGR.
A NR-1 exige pesquisa de clima ou avaliação psicológica dos funcionários?
Não especificamente. Exige identificação e gestão dos fatores de risco da organização do trabalho. Pesquisas podem ser instrumento do diagnóstico, mas o que a fiscalização cobra é o ciclo completo no GRO/PGR.
Empresa 100% remota precisa cumprir a NR-1?
Sim. Sobrecarga, jornada, metas e assédio existem — às vezes se agravam — no trabalho remoto.
Quem pode elaborar o levantamento de riscos psicossociais?
A responsabilidade pelo GRO é da organização. O levantamento costuma envolver SESMT, consultorias de SST e profissionais de saúde ocupacional; o que importa para a norma é a consistência do processo e das evidências.
Já tenho PGR feito por consultoria. Estou coberto?
Depende de duas coisas: se os riscos psicossociais foram incluídos com diagnóstico próprio da sua operação, e se existe evidência de que o plano de ação está sendo executado e monitorado. PGR entregue e engavetado não passa em fiscalização.

Fontes